Anúncios

Final de Semana em Ilha Grande – RJ com trilha e chuva. Um pouco da história, informações úteis e dicas de turismo.

Vou começar o post dizendo o quanto eu adoro a Ilha Grande, já vim pra cá apenas três vezes e da última vez fiquei me perguntando por que eu vou tão pouco, se eu gosto tanto!?

Chegando em Ilha Grande

Localizando a Ilha

Ilha Grande é o nome da maior ilha do estado do Rio de Janeiro, sexta maior ilha do Brasil, e integra o município de Angra dos Reis. Possui mais de 100 praias de variados tamanhos e características com águas calminhas ou agitadas, sendo que a maioria das praias são desertas ou pouco habitadas.

Eu e Iara brincando em uma das 119 praia em Ilha Grande

Um pouco de História da Ilha

A Ilha Grande era habitada pelos índios tamoios, que habitavam desde Cabo Frio-RJ até as proximidades de Ubatuba-SP. E já a chamavam de Ippaun Wasu (“Ilha Grande”), porque essa ilha possui cerca de 190 quilômetros quadrados, com um relevo muito acidentado e montanhoso (ou seja, muitos lugares só se acessa por barco, ou por trilhas centenárias, de variados níveis de dificuldade). Foi descoberta pelo navegador português Gonçalo Coelho em 1502, e foi lugar de diversas batalhas marítimas ao longo dos séculos, com invasões de piratas, corsários e comerciantes de escravos.

Em 1863, o imperador Dom Pedro II fez sua primeira visita à ilha Grande, e comprou a Fazenda do Holandês, local onde seria instalada uma instituição para atender pessoas enfermas que chegavam ao Brasil. De 1886 a 1903, atendeu a mais de 4.000 embarcações, e depois, virou um sanatório para pacientes de hanseníase, e o nome do local mudou para Lazareto. Depois, essa mesma construção serviu de presídio político durante os primeiros anos da república, sendo criada a colônia agrícola correcional de Dois Rios. O escritor Graciliano Ramos escreveu “Memórias do Cárcere” ali mesmo, durante a ditadura do Estado Novo de Vargas (1937-1945). Durante a ditadura militar de 1964 também foram transferidos presos políticos para o instituto, até o final da década de 1970, quando estes foram libertados e o presídio voltou a ter apenas presos comuns.

Aqueduto do Abraão. Foto retirada do site do Jornal da Ilha Grande – O Eco

Com esse presídio a população local se sentia bastante insegura devido às inúmeras fugas de presos e em 1994, o presídio, foi fechado pelo governo e a partir disso a Universidade do Estado do Rio de Janeiro obteve o direito de usar essa área inaugurando, no ano de 1998, o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável. Hoje, parte do presídio é aberta a visitação.

Foto do presídio retirada do site do Jornal da Ilha Grande – O Eco

Esse pedaço da Mata Atlântica é muito preservado e atualmente tem como sua principal atividade econômica o turismo – os estrangeiros chegam em massa e respondem por mais da metade dos lucros dos negócios locais.

Iara pelo vilarejo de Abraão

Como chegar

Mapa retirado do site ilhagrande.com.br

O único jeito é de barco, e existem alguns trajetos específicos, então tudo vai depender de onde você vai se hospedar. Como você pode ver no mapa os barcos saem de Angra dos Reis, Mangaratiba ou Conceição de Jacareí (que é um bairro de Mangaratiba na divisa de município com Angra dos Reis). Ah, e também não existe um único ponto de desembarque na ilha porque ela é bem extensa.
De Angra dos Reis e Mangaratiba são em média 1h30 de barco; do Rio de Janeiro, 125 km (mais 1h30 de barco a partir de Mangaratiba), e de São Paulo, 414 km (mais 1h30 de barco).

Nossa turma no Pier de Conceição de Jacareí aguardando o táxi boat

Nas duas últimas vezes que fui contratei um transfer rápido saindo de Conceição de Jacareí, e foi super legal, pois o barco levou 30 minutinhos pra chegar lá, com vários horários por dia; mas na primeira vez peguei a barca pública em Angra dos Reis que levou 1 hora e 30. Acho que vale a pena só se você quiser economizar ou ver como é o passeio.

A travessia de barca pública custa R$17 reais cada trecho, com horários super engessados, já os transfers a gente pagou R$35,00 cada trecho, com vários horários ao longo do dia e várias empresas operando.

Iara observando a barca pública voltar pro continente

Ah, e como não existem pontes nem balsas para transportar veículos e também não é permitido veículos automotores particulares transitar pela Ilha, chegamos de carro em Conceição de Jacareí e pagamos R$20,00/dia no estacionamento coberto, ao lado do píer, até o retorno da Ilha. Detalhe que o dono do estacionamento era o mesmo que o dono do barco e então acabou rolando um desconto pra gente. Então já anota a dica pra pechinchar.

Durante a travessia -chegando em Ilha Grande

O Fernando também já veio algumas vezes de barco, se hospedando em Angra dos Reis. E nos anos 90 acampou na Ilha Grande 3 vezes, duas na praia de Palmas, e uma na praia de Aventureiro.

Iara na estação de barco, aguardando o táxi boat chegar

Nossa experiência na Ilha

Então desembarcamos na Vila do Abraão, inclusive em todas as minhas outras vezes na ilha me hospedei aqui. A Vila é muitíssimo agradável, possui cerca de 3.000 moradores, com a melhor infraestrutura turística da Ilha, tendo posto de saúde, escola, correios e outros serviços.

Pelas ruas da Vila do Abraão

Quando chegamos fomos para o hotel deixar as malas. E o hotel escolhido foi a Pousada Ancoradouro, na tranquila Praia do Canto. E a escolha não poderia ser mais acertada. Pessoal muitíssimo atencioso, boa localização, café da manhã gostoso, e nosso quarto era de frente para o mar. Dormimos ouvindo o barulho das ondas, super perfeito.

Iara curiosa

Fomos logo almoçar e escolhemos o restaurante Lua e Mar. Almoço pé na areia com uma deliciosa brisa do mar, e a moqueca e o mojito estavam uma delícia.

Aguardando o almoço chegar

E então depois do almoço ficamos no povoado passeando e descansando. Que paraíso! A vegetação é muito exuberante, formada por mata atlântica, mangue e restinga. Já quero voltar pra cá.

Pelas ruas da Vila do Abraão

Paramos pra tomar café e comer uma sobremesa na Cafeteria Ateliê e estava tudo muito gostoso. Recomendamos. Esse local tem uma vista linda do píer, e de acordo com o cardápio é ótimo para outras refeições, com bastante variedade e opções vegetarianas.

Descanso e café.

Depois ficamos por ali e mais tarde tomamos um drinque no Steak n’ Beach. Até cogitamos jantar lá, que era bem próximo ao nosso hotel, mas estava tão lotado que a garçonete nos desaconselhou(!)

Drink em Ilha Grande

Então acabamos nos decidindo pelo restaurante argentino Las Sorrentinas. E foi exatamente o que eu queria! O restaurante é pequeno e aconchegante, fica em cima de um hostel, possui bom atendimento e preço justo. Nunca tinha ouvido falar dos sorrentinos (massa caseira recheadas) e eu pedi a com recheio de queijo e o Nando com tomates secos e molho carbonara, e estava tudo excelente! O vinho também estava ótimo. Endereço Rua Getúlio Vargas 638, próximo à praia do Canto.

Vou ficar devendo a foto do prato.

Já no dia seguinte acordamos super empolgados, pena que a chuva não estava dando trégua. Mas não estava frio, e nem a água do mar estava gelada, então decidimos fazer uma trilha até a Praia do Abraãozinho passando por várias outras praias, e a Iara finalmente estreou em trilhas na natureza, de canguru, com seu super papai.

Detalhes da trilha

Nosso trajeto foi: Abraão > Praia da Júlia > Praia da Bica > Praia Comprida > Praia da Crena > Praia do Abraãozinho.

Como já estávamos hospedados na praia do Canto, no Abrão, então seguimos à direita até chegar ao final da praia. Pra chegar no início dessa trilha você pode ir tanto pela areia como pela Rua Getúlio Vargas que termina na praia do Canto.

Placa sinalizando o início da trilha

No final dessa praia seguimos a trilha que começa junto à placa informativa T10 (Abraão – Pouso). Depois de alguns metros, aproximando-se de uma praia, surge a bifurcação. A que segue a direita, começando a subir, dá acesso à outra trilha para a enseada de Palmas e praia de Lopes Mendes. Então seguimos  à esquerda, e chegamos à praia da Julia.

Procurando conchas na Praia da Júlia

Essa praia tem água transparente e uma única residência, ela é frequentada por aqueles que querem descansar, sem caminhar tanto. Após atravessarmos essa praia, continuamos seguindo a trilha que passa entre pedras e aí chegamos à Praia da Bica. Como isso depende da maré, tivemos que molhar os pezinhos para continuar o passeio. No meio da praia, tinha uma bica não potável que dá o nome da praia.

Chegando na praia da Bica com a maré alta. Iara na Aventura

Atravessamos essa praia e continuamos firmes pela trilha contornando a costa. O visual deste trecho é lindo.

Trilha e chuva!

Aí chegamos a Praia Comprida, e não precisamos caminhar até o final dela para seguir em direção ao Abraãozinho. No meio da praia, entramos novamente na trilha que se transformou numa calçada de cimento, à direita. Aí após uma curva à esquerda a trilha tornou-se bastante acidentada com muitas pedras, raízes e muito barro por causa da chuva. Avistamos uma imensa figueira.

Rumo à praia do Abraãozinho
Figueira majestosa engolindo uma pedra

Na descida, surge uma bifurcação, então pegamos a trilha que segue à direita, subindo e finalmente chegamos no Abraãozinho. Já a trilha que desce à esquerda, na direção do mar, vai dar na Praia da Crena, onde também funciona um restaurante e uma pousada. Essa praia também possui águas calmas e transparentes, abrigando cardumes de coloridos peixes, tartarugas e cavalos marinhos. Sem falar na vista espetacular da Enseada do Abraão, com o Pico do Papagaio ao fundo. Junto ao restaurante, há um atalho que dá acesso ao Abraãozinho.

Praia do Abraãozinho

Então ficamos na praia tomando cerveja e comendo petiscos!

Cerveja artesanal da Ilha Grande

E curtimos bastante o dia. Disseram que essa praia é excelente para a prática de snorkeling. Mas é preciso tomar cuidado com o grande número de taxi boats que chegam e saem dessa praia a todo o momento.

Iara curtindo o dia na praia…
…e fazendo amizades
Curtimos muito!

No final do dia não queríamos voltar caminhando porque a chuva tinha aumentado, então pegamos um desses taxis boat e foi uma ótima opção. A volta durou cerca de 5 minutos, e 15 reais por pessoa. (sendo que a Iara não pagou por causa da idade).

Brincando na pousada

À noite queria muito ter ido no restaurante chamado The Secret Gourmet Club, mas teria que ter feito reserva com uns dias de antecedência. Então se você estiver vindo pra cá, já guarda esse nome e faça a sua reserva pelo telefone (24) 99921-1124 e depois me conte. À noite jantamos no Café do Mar, próximo ao hotel. A chuva tinha aumentado muito.

E na manhã do dia seguinte nos despedimos de Ilha Grande já querendo voltar.

Saindo da Ilha Grande.

Dicas de outros passeios

Se não estivesse chovendo a gente faria algum passeio de escuna ou lancha, pra se ter noção maior da ilha.

Na minha última visita, além do passeio de barco, fiz também a trilha para a belíssima praia de Lopes Mendes, que, na minha lembrança, foi a mais pesada que eu já fiz na vida! O perrengue vale muito a pena, pois depois dessa trilha você vai considerar todas as outras muito mais leves, além daquele mergulho nas suas águas translúcidas. Também conheci a pequena praia do Caxadaço e recomendo pois lá tem uma maravilhosa piscina natural.

Foto retirada do site ilha grande.com.br

Eu também já tive a oportunidade de fazer a caminhada que leva às instalações do presídio e recomendo o passeio. Para chegar lá você faz uma trilha em meio à natureza e existe várias placas sinalizando desde Abraão. Alguns consideram essa trilha de nível moderado a pesada, pois existe pontos de subida consideráveis, ideal para quem tem algum preparo físico. Em Dois Rios não é permitido pernoitar, então tenha cuidado e se organize saindo mais cedo de lá. A distância desde Abraão são cerca de 6.800m – 7.000m, com tempo previsto de : 2h30min- 3h.

Outra coisa que me chamou muito a atenção foi a belíssima cachoeira da Feiticeira. Como assim um lugar com mil praias maravilhosas, fauna e flora espetaculares e ainda ter uma cachoeira tão perfeita! Isso é Ilha Grande! Lá o pessoal além de se banhar pratica rapel e escorrega nas suas pedras, caindo numa refrescante piscina natural.

Foto retirada do site ilhagrande.com.br

Recomenda-se levar

Lembrando que na Ilha tudo é mais caro por questões não só turísticas mas também logísticas, e isso nem é difícil de imaginar. Vale a pena levar água, comida, repelente, protetor solar, capa de chuva, lanterna e dinheiro. Na ilha não existem caixas eletrônicos, mas na vila do Abraão todo estabelecimento aceita cartão de crédito, porém sujeito a disponibilidade de internet que não é 100% garantida. Eu particularmente não tive problemas em nenhum momento com o sinal de 3/4g.

E aí, turma? Animados a pegar o barco e chegar nesse paraíso que os gringos já descobriram?

América do Sul Brasil

Anúncios

1 comentário Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Travel Around the World

Vem descobrir o Mundo connosco...

CONTO EM DETALHES

Crônicas, histórias, poesias e percepções.

Elizabeth Werneck

Um blog para falar sobre viagens e outros assuntos

WordPress.com

WordPress.com is the best place for your personal blog or business site.

%d blogueiros gostam disto: