O que é Bazar: significado, história e curiosidades
O que é um bazar: significado, origem, história e os grandes e melhores bazares do mundo
O termo bazar refere-se a um tipo tradicional de mercado presente em diversas regiões do Oriente Médio, Ásia Central, Norte da África e partes do sul da Europa. Mais do que um espaço comercial, os bazares funcionaram historicamente como centros de convivência, circulação cultural e articulação econômica. O conceito evoluiu ao longo de séculos, mas permanece associado a ambientes movimentados, ruas estreitas cobertas, lojas agrupadas por guildas e uma grande variedade de produtos artesanais e alimentos.
Leia também: 15 mercados públicos para conhecer antes de morrer

Origem e formação dos primeiros bazares –
O que é um bazar: significado, origem, história e os grandes e melhores bazares do mundo
A palavra “bazar” tem origem no persa bāzār, já mencionada em registros do Império Aquemênida (c. 550–330 a.C.). Esses primeiros mercados eram organizados ao longo das rotas de comércio que conectavam a Pérsia à Ásia Central, ao subcontinente indiano e ao Mediterrâneo. Com o avanço das civilizações urbanas da Mesopotâmia e das cidades persas, surgiram estruturas mais amplas, muitas vezes integradas ao tecido urbano, onde mercadores fixavam bancas e artesãos trabalhavam em oficinas contíguas.
A consolidação dos bazares como instituições urbanas ocorreu principalmente entre os séculos VIII e XIII, período de grande expansão comercial islâmica. Cidades como Bagdá, Damasco, Isfahan, Bukhara e Samarcanda desenvolveram sistemas de bazares permanentes, que serviam tanto ao comércio local quanto ao movimento de caravanas vindas da Rota da Seda.

O papel social e econômico dos bazares
Historicamente, os bazares funcionavam como:
- Centros econômicos: onde se realizavam trocas, vendas de mercadorias e negociações entre comerciantes de diversas regiões.
- Espaços de organização profissional: artesãos se agrupavam por guildas, o que facilitava a padronização de produtos e a transmissão de saberes.
- Locais de convivência: além da circulação comercial, eram espaços onde se discutiam políticas locais, notícias de viagem e assuntos religiosos.
- Pontos estratégicos urbanos: muitos eram ligados a mesquitas, caravançarais, madraças e banhos públicos, compondo complexos de grande importância social.
Com o passar dos séculos, o bazar se consolidou como símbolo da vida urbana oriental, mantendo sua função mesmo após a modernização das cidades e a chegada dos mercados ocidentais.
Onde nasceu o bazar?
O conceito de bazar, tal como é conhecido hoje, nasceu na Pérsia (atual Irã). Embora mercados existissem em várias civilizações antigas, foi na região persa que o bazar adquiriu estrutura permanente, com ruas cobertas, setores especializados e administração interna. A arquitetura persa influenciou outros impérios e, a partir do século X, o modelo se difundiu por todo o mundo islâmico.
A evolução do bazar na modernidade
A partir do século XIX, com a abertura dos portos e o avanço das ferrovias, muitos bazares passaram por reformulações. Alguns foram ampliados, outros adaptados para o crescente turismo internacional. Mesmo assim, muitos deles preservam até hoje formas tradicionais de comércio, especialmente na venda de:
- tecidos e tapetes artesanais
- cerâmicas
- especiarias
- joias
- perfumes
- artes decorativas
- alimentos típicos
- produtos feitos à mão por comunidades locais
Esses mercados são, atualmente, pontos turísticos fundamentais por combinarem comércio, história e identidade cultural.
Os 5 bazares históricos mais famosos do mundo – O que é um bazar: significado, origem, história e os grandes e melhores bazares do mundo
1. Grand Bazaar – Istambul, Turquia (século XV)
Fundado em 1455, logo após a conquista de Constantinopla pelos otomanos, o Grand Bazaar é um dos maiores e mais antigos mercados cobertos do mundo. Com mais de 4 mil lojas distribuídas em dezenas de ruas internas, tornou-se símbolo do comércio otomano e um dos pontos turísticos mais visitados da Turquia. Ali, historicamente, eram vendidos tecidos, tapetes, metais preciosos, porcelanas e especiarias.

2. Bazar de Isfahan – Isfahan, Irã (origens no século X)
Localizado próximo à monumental Praça Naqsh-e Jahan, o Bazar de Isfahan é considerado um dos exemplos mais completos da arquitetura comercial persa. Suas ruas cobertas, oficinas de artesãos e áreas especializadas preservam a organização tradicional de guildas. Foi um centro vital para o comércio de seda, tapetes e cerâmica persa.
3. Khan el-Khalili – Cairo, Egito (século XIV)
Construído no século XIV, durante o período mameluco, Khan el-Khalili é o bazar histórico mais conhecido do Egito. Além das lojas, é famoso por suas cafeterias centenárias, onde intelectuais, diplomatas e artistas se reuniam desde o século XIX. Tem forte tradição na venda de joias, especiarias, perfumes e artesanato do Egito.
4. Bazar de Tabriz – Tabriz, Irã (século XII–XIII)
Listada como Patrimônio Mundial pela UNESCO, esta vasta rede de mercados cobertos foi um ponto crucial da Rota da Seda. É reconhecido pela grandiosidade de suas cúpulas em tijolos e pela concentração histórica de comerciantes especializados em tapetes persas, especialmente os famosos tapetes de Tabriz.
5. Bazar de Marrakech – Marrakech, Marrocos (origens medievais) – O que é um bazar: significado, origem, história e os grandes e melhores bazares do mundo
O conjunto de souks (mercados) que forma o bazar de Marrakech se espalha pela medina histórica, com origem no período almorávida. As ruas são organizadas por ofícios — couro, metal, madeira, especiarias — e mantêm técnicas tradicionais transmitidas por séculos. É um dos mercados mais fotografados do mundo.
A importância cultural dos bazares hoje – O que é um bazar: significado, origem, história e os grandes e melhores bazares do mundo
Mesmo diante da globalização e das formas de comércio digital, os bazares permanecem como espaços vivos de tradição. Eles guardam técnicas artesanais, preservam práticas de comércio direto entre vendedor e comprador, e mantêm o patrimônio imaterial de diversas sociedades.
Para viajantes contemporâneos, visitar um bazar histórico significa observar a continuidade de práticas comerciais milenares, compreender a cultura local e se aproximar do cotidiano das populações que deram forma a esses espaços ao longo de séculos.