Dicas de Turismo: Bagan, a cidade dos 2000 templos no Myanmar

Saímos de Yangon e aterrizamos em Bagan. Acredito que o Myanmar possuía muitas cidades perdidas, no entanto, nenhuma com o esplendor de Bagan.


Eu ficava me perguntando como essa cidade não é considerada uma das 7 maravilhas do mundo (da mesma forma que o complexo Angkor Wat também não é)! Deve ser porque poucas pessoas conhecem, só pode!

A cidade fica localizada numa planície árida do país, na margem oriental do rio Ayeyarwady (em inglês), a 145 quilômetros da cidade de Mandalay. Esse rio é o mais longo de Mianmar e comercialmente mais importante do país, com um comprimento de cerca de 2170 km, ótimo para a navegação.

Do balão vendo o Rio Irauádi (em português)

Bagan é a cidade mais turística do país e todos ficam seduzidos pelas paisagens da luz dourada do sol refletindo nos templos, e certamente entrou na lista dos destinos mais incríveis que eu visitei no mundo! Posso até depois fazer um texto com essa lista, né? Confie em mim, por mais que você estude bastante sobre o lugar, veja centenas de fotos, nada dá a noção do tamanho desse sítio arqueológico, e de quão lindo e surpreendente é ver todas aquelas construções seculares no meio da vegetação. É impressionante, é muito impactante, é de emocionar o mais experiente dos viajantes!

Quantos templos você consegue ver daqui de cima do Balão? Bagan, Myanmar

Um pouco da história de Bagan, Myanmar

Antigamente chamava Pagan, e foi a antiga capital de vários reinos em Myanmar (ou Birmânia). Quando o Rei Anawratha unificou a Birmânia, os mais ricos construíram milhares de templos. Acredita-se que foram mais de 10 mil, entre templos, pagodas, estupas e mosteiros. Hoje, o que encontramos são cerca de 2 mil templos que resistiram bravamente a todo esse período entre guerras e terremotos. Aqui eu explico um pouco a diferença entre essas construções budistas. A maioria dos seus edifícios foram feitos a partir do século XI ao século XIII, durante o tempo em que Bagan era a capital do Primeiro Império birmanês.

Já nos séculos XII e XIII, Bagan se tornou um centro cosmopolita de estudos budistas, atraindo monges e estudantes da Índia, Sri Lanka, bem como dos reinos de Ayutthaya (atual Tailândia) e khmer (atual Camboja).

Monges trabalhando dentro de um dos templos de Bagan

Em 1287, após se recusar a se submeter a Kublai Khan o reino de Bagan caiu sob o domínio dos mongóis. Abandonados pelo rei birmanês e saqueada pelos mongóis, a cidade deixou de ser um centro político, mas continuou a florescer como um centro de estudos budistas. A situação de guerra é tão maléfica pra uma localidade, que essa cidade foi reduzida a uma pequena vila.

Pelas ruas de Bagan, Myanmar

Existem controvérsias quanto o número de pagodes em Bagan, em 1975 foram catalogados 2.217 pagodes mas em 2014, de acordo com o Ministério da Cultura, o número era de 3313 em contraste com mais de 5.000 durante a altura do seu centro político. Após o terremoto de 1975, a fim de preservar os templos, apenas bicicletas (elétricas são as principais), e carruagens puxadas por cavalos, estão autorizados a transitar entre os pagodes.

Nós não apoiamos passeios de carroça, por respeito aos animais.

A UNESCO tentou várias vezes designar Bagan como Patrimônio da Humanidade. No entanto, a junta militar no poder em Myanmar restaurou as antigas construções, mas não respeitou o estilo arquitetônico, e utilizou materiais modernos que não eram usados em tempos remotos. Além disso, durante a ditadura militar foi construído um campo de golfe, uma estrada pavimentada e ainda uma torre de observação com 61 metros de altura. Mesmo com todas estas alterações, apesar de descaracterizar um pouco o panorama do local, Bagan em 2019 foi classificado como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Como chegar aos templos de Bagan?

Viemos de Yangon de avião que durou cerca de 1 hora. Mas dá pra ir de ônibus noturno também com a duração de cerca de 9 horas de viagem.

Chegando ao Aeroporto de Bagan, Myanmar

Já da cidade de Mandalay você pode vir também de avião, de ônibus (são cerca de 5 horas) ou também de barco (8 a 11 horas). Pelo site www.rometorio.com você também chega de trem. Deve ser a maior aventura.

Quanto tempo ficar em Bagan?

Nós ficamos 3 noites, e gostaria de ter ficado duas a mais, porque ficou faltando fazer um bate e volta de Bagan. Queríamos muito ter subido o Monte Popa. É um passeio de meio período (dá pra fazer à tarde ou de manhã). Essa montanha é um vulcão extinto, de 1518 metros de altura onde fica localizado um plácido monastério de peregrinação budista. Ah, e só chega nele depois que você subir nada mais que 777 degraus (por isso que a gente deu uma desanimada, mas se tivéssemos um tempinho a mais, iríamos acabar indo, porque deve ser maravilhosa a experiência). O guia falou que depois de curtir a vista lá de cima ele levava a gente para tomar um drink no Popa Mountain Resort, que possui uma vista privilegiada em frente a montanha.

Monte Popa é a montanha ao fundo na ponta do lado esquerdo.
Zoom no Monte Popa, Myanmar. Fiquei encantada com essa montanha/vulcão
Mount Popa, Myanmar. Foto retirada do site Wikipedia

Paga para visitar os templos de Bagan?

Sim, todos os turistas internacionais precisam pagar um ticket no valor de 50.000 kip (US$ 35) válidos para cinco dias. Eles são cobrados assim que você chega no aeroporto (no nosso caso), ou na chegada de ônibus. Guarde-o com você porque em alguns templos é solicitado a apresentação desse “ingresso”.

Balcão no aeroporto onde paga o ticket de entrada nos templos, Bagan Myanmar

Onde se hospedar em Bagan?

Nossa, eu também fiquei muito em dúvida sobre a melhor localização. Eu prezo muito isso em viagem. Acredito que faça uma grande diferença durante a estadia. E aqui eu não chegava a nenhuma conclusão. Não existe muitas informações sobre o Myanmar, principalmente em Português.

A área arqueológica de Bagan fica espalhada em torno das 3 cidadezinhas.

  • Old Bagan (que possui grande parte das construções históricas)
  • Nyaung-U (onde fica o aeroporto e onde está a maioria dos hotéis e restaurantes turísticos)
  • New Bagan (parte mais “moderna”, onde a população local reside).
Mapa retirado do site https://www.thetravelbrief.com/briefs/bagan-how-to-see-bagan

Ou seja, elas são super próximas umas das outras, mas qualquer lugar que você ficar você estará perto de algum templo e longe de outros.

Resumindo então: tanto faz você se hospedar em New Bagan, Old Bagan ou em Nyaung U. Escolha seu hotel e fique feliz planejando os passeios.

Mas é claro que eu vou explicar o que a gente fez. Nós ficamos duas noites num hotel, e outra noite em outro.

Então as duas primeiras noites ficamos no simpático Zfreeti Hotel bem no centrinho de Nyaung U. Simples, e com ótimo custo benefício. O hall de entrada tinha um hipopótamo que minha filha adorou montar e teve que revezar com um monte de criança (hahaha, com certeza é uma das coisas que agora fazem a diferença na estadia).

Nosso hotel tinha uma piscina que aparentava estar limpa e arrumada, pena que estava friozinho, e não animamos nadar. Hotel com decoração bonita e bem cuidada. O atendimento era muito atencioso e os funcionários cordiais.

O hotel, assim como outros da região, disponibiliza o aluguel de bicicletas elétricas que são uma excelente maneira de explorar os diversos templos de Bagan no seu tempo. Mas como estávamos com uma criança pequena achamos por bem solicitar um carro com motorista para o passeio pelo sítio arqueológico. O hotel providenciou uma ótima pessoa e foi excelente.

Adorei o café da manhã servido no terraço de um dos prédios.

Café da manhã no terraço do Hotel Zfreeti

Já a localização foi a melhor coisa: por ali encontramos um dos templos que mais gostei de visitar, bem pertinho do hotel (no próximo texto falo mais sobre todos os monumentos históricos visitados).

Complexo do Pagode Shwezigon

Além de ter boas opções para as refeições, trocar dinheiro (inclusive trocamos por ali), e lojinhas de artesanato.

Pelas ruas de Nyaung U, Bagan, Myanmar

Por ali também tem as agências de turismo para reservar bicicletas elétricas para visitar os templos, centros de massagem, e também para realizar o passeio de balão.

Todas as noites, durante o jantar, tinha ali no restaurante um teatro/show de marionetes típicos no país, entretanto, como ainda estávamos com o fuso horário bem difícil não conseguimos ir.

Então depois saímos daqui e nos hospedamos no imponente Aureum Palace Hotel & Resort, em Old Bagan.

Nosso quarto, no Aureum Palace Hotel & Resort

O hotel é um sonho, com decoração de muitíssimo bom gosto, belos e imensos jardins, piscina lindíssima, vista espetacular para os templos, comida gostosa, quartos super confortáveis e excelente café da manhã.

Aureum Palace Hotel & Resort
Hotel no meio dos templos. Aureum Palace Hotel & Resort. Aproveitando a piscina.

Então nesse dia em Bagan ficamos relaxando e contemplando a natureza dali mesmo. O hotel era a própria atividade do dia. A nossa estadia foi realmente incrível! Acordamos bem cedo por causa do fuso horário louco para ver os balões da piscina do hotel e foi um momento que vou levar para o resto da vida, que registramos com muitas fotografias.

Outra coisa imperdível é a torre de observação do hotel de onde você vê a imensidão indescritível e aí você se dá conta de onde você está.

Por do sol da torre de observação

Essa torre não é exclusiva do hotel, então é possível subir nela sem ser hóspede pagando uma quantia (acho que é 6500 kyats)

Vista da Torre de Observação do Aureum Palace Hotel Bagan

Ah, e o hotel é super perto do aeroporto.

Onde comer em Bagan

Numa noite jantamos num restaurante italiano chamado LA TERRAZZA.

Comemos pizza, Spaghetti Carbonara e Tagliatelle (feito na casa) . Atendimento cordial e comida gostosa.

Outra noite fomos ao restaurante Bibo. Ambiente simples, acolhedor, atendimento muito agradável! O sanduba verde é uma delícia!

Para o almoço escolhemos ir ao Black Bamboo, que ficava pertinho do nosso hotel Zfreeti. Fomos a pé. O ambiente de lá é fofo, e tinha um agradável jardim.

Entrada do restaurante Black Bamboo

Dizem que o restaurante é de uma francesa que se casou com um birmanês. O cardápio inclui pratos locais e ocidentais como esse “fried rice” da foto. Destaque pro sorvete caseiro! Foi um ótimo almoço.

Neném chateada porque não queria esperar para comer o rolinho primavera que estava muito quente e podia queimar sua boca. Black Bamboo, Bagan, Myanmar
Neném conseguiu o que queria sem queimar a língua.

Outra noite jantamos no restaurante do Aureum Palace.

Pedimos uma sopa de lentilhas de entrada…
E almoçamos por aqui também.

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Ásia Myanmar

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