Myanmar: Informações para visitar esse misterioso país

Em nossas férias passamos um período viajando pelo sudeste asiático e visitamos o Myanmar.

No Pagode Shwezigon, Nyaung-U, Myanmar (Birmânia) pertinho do nosso hotel

Myanmar (antiga Birmânia), conhecido como “A Terra Dourada” é um dos países que integram o Sudeste Asiático, e faz fronteira com a China, Bangladesh, Índia, Laos e Tailândia, sendo banhado pelo Mar de Andamão e Golfo de Bengala.

Mapa retirado do site https://pt.m.wikivoyage.org/wiki/Sudeste_Asiático

Sua capital era Rangum (Ou Yangon), mas em 2006, a capital do país foi transferida para Naypyidaw (ou Nepiedó em português).

Até pouquíssimo tempo atrás o país era super desconhecido pois o turismo por lá era proibido em virtude de uma severa ditadura militar que assolou o país. Atualmente o turismo está se desenvolvendo, e o país se encontra em processo de democratização.

Pelas ruas do Myanmar

Como qualquer país no mundo o Myanmar possui problemas, mas também possui belezas únicas, exotismo, um verdadeiro diamante bruto e, se você é como eu, que sempre procura enxergar o melhor por onde passa essa viagem é pra você. 

Asseguro-te que apesar de ser pobre, o país não é violento, pois a maior parte da população é adepta do budismo Theravada, que lida muito diferente com essa questão, ou seja, vá sem medo. Além de que achei o povo birmanês extremamente receptivo e cortês ao turista estrangeiro. Eles sentem muito orgulho de ver o interesse pela cultura e religião deles.

Mas também, apesar da culpa nunca ser da vítima, é sempre prudente usar o bom senso e tomar cuidados simples de segurança que você teria normalmente em qualquer parte do mundo, como por exemplo, não sair ostentando objetos valiosos nem dinheiro à mostra.

Pelos templos do Myanmar

Um pouco da história do Myanmar

O Myanmar é um país multicultural e existem 8 grandes etnias e cerca de 130 minorias étnicas.

Mapa retirado do site https://mapamundi.org.br/2019/estudo-myanmar-birmania/

Esses diversos povos sempre viveram brigando entre si e também com os países vizinhos como Bangladesh, China e Tailândia, até serem colonizados pelos britânicos, no século 19, e durou até o fim da II Guerra Mundial.

Ou seja, todos esses grupos étnicos com a sua própria cultura, língua e tradições, imagina a dificuldade em se conciliar as reivindicações! 

Foto de dentro do avião chegando em Myanmar e propaganda de cartão de crédito

Pois é, foi esse caldeirão cultural que originou sérios problemas quando o país conseguiu a independência do Reino Unido, em 1948. Cada grupo étnico reivindicava direitos diferentes, ninguém se entendia, e o resultado foi uma sangrenta guerra civil. Para tentar conter essa guerra interna, em 1962 os militares deram um golpe de estado que levou à instauração de uma horrível ditadura militar que deixou o povo e o país numa pobreza de dar dó, que perdurou até meados de 2011. Para se ter uma noção, no início do século XX, a antiga capital Yangon tinha serviços públicos e infraestrutura na paridade com Londres, e atualmente é um dos países mais pobres do sudeste asiático.

Pelas ruas do Myanmar

A luta pela democratização do país é constante e mundialmente divulgada.

Como se isso não bastasse, não posso deixar de citar a triste e séria problemáticas dos rohingyas. 

Os rohingyas estão há centenas de anos no Myamnar, e vivem próximo à fronteira de Bangladesh, sendo uma das 130 minorias étnicas. No entanto eles não são budistas (como a maioria) e sim muçulmanos e o governo não os reconhece como cidadãos, e por isso eles não possuem direito à cidadania birmanesa. Como apátridas eles não têm acesso a serviços básicos, como educação, saúde, são proibidos de possuir terras, votar ou trabalhar. O governo do Myanmar está sendo acusado pela comunidade internacional de fazer uma limpeza étnica. Tudo muito triste.

Feira livre no Myanmar

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA LEVAR AO MYANMAR

Nós brasileiros precisamos de visto para entrar no Myanmar. Achamos bem fácil emitir o e-visa pela internet no endereço https://evisa.moip.gov.mm/. É preciso preencher os dados, com o passaporte com validade mínima de 6 meses, ter bilhetes aéreos comprados e pagar taxa no valor de 50 dólares por pessoa. Foi muito rápido, praticamente de um dia pro outro. Esse visto tem validade de 90 dias (a partir da data de expedição) e dá direito também a apenas uma única entrada no país para a permanência de até 28 dias.

Ah, e o país também exige certificado internacional de vacinação contra febre amarela (apesar de não terem me pedido na entrada). Inclusive perdemos esse documento durante a viagem pra cá e deu a maior dor de cabeça. Em outro post eu comento sobre isso. O ideal é sempre deixar o certificado dentro do passaporte. Mas aí fica a dúvida, se o passaporte tivesse junto com o certificado não teria perdido o certificado ou teria perdido o passaporte junto? Hahahah. Pois é, são coisas que acontecem e tem que estar atento.

Que moeda usar no Myanmar?

A moeda do Myanmar é o Kyat. Super desvalorizado. 1 dólar americano = 1466 Kyat; Nós levamos dólares e trocamos por Kyats. Mas o passeio de balão foi pago em dólares, então é bom você ter tanto a moeda local como dólares. O dólar americano é amplamente aceito, como na maioria dos países, no entanto, cartões de crédito e débito não são muito aceitos. Nossos hotéis já estavam reservados do Brasil pelo Booking, e não tivemos problemas. Além disso, pagamos o supermercado em Yangon com cartão de crédito.

Feira livre no Myanmar com o preço da mercadoria em Kyat

Já alguns restaurantes aceitavam, outros apenas dinheiro vivo. Os artesanatos apenas dinheiro também.

Minha mãe vendo os bonitos artesanatos no Myanmar

Na boa teoria, o ideal para trocar dinheiro é em banco, no hotel ou sacar nos caixas eletrônicos ATM disponíveis nas cidades maiores. No entanto, a gente quase nunca faz isso. A gente chega de avião, e no próprio aeroporto mesmo tem uma casa de câmbio e é lá mesmo que a gente troca tudo que a gente quer. Não gosto de sair do aeroporto sem dinheiro trocado para no dia seguinte ir ter que procurar algum local com taxa melhor e perder tempo na viagem. Pesquisando em todos esses locais a chance de você ter uma cotação boa é maior, mas como eu só viajo com dias bem contados, não quero nem posso ficar perdendo muito tempo. Além disso, acredite, as casas de câmbio nos aeroportos (pelo menos das cidades maiores) possuem uma boa cotação.

Viajar com crianças para o Myanmar

Nossa! Conhecer esse país era um grande sonho. Eu estava receosa porque além de ser um país super longe, se abrindo recentemente para o mundo e com uma cultura bem diferente, eu iria com minha bebê de 1 ano e 9 meses. Li muito, pesquisei bastante, e confesso que às vésperas da viagem fiquei meio paranoica pensando: Minha filha só vai ter contato com água mineral, nem no banho do hotel ela terá contato com a água do país. Resultado: Usamos água mineral apenas para beber e escovar os dentes (dela), comemos alimentos apenas cozidos que vão ao fogo, e encontramos papinha de bebê no supermercado de Yangon (já em Bagan não encontramos).

No supermercado do Myanmar procurando papinha de Neném

Minha filha entrou na piscina porque estava calor, tomou banho de chuveiro, e a viagem foi um sucesso! Neném e toda a família super saudável, sem nenhuma intercorrência de saúde. Acho muito importante dizer que minha filha ainda é amamentada. E, como o leite materno é um alimento que protege e fortalece o sistema imunológico acredito que isso tenha contribuído para minha filha ter sempre boa saúde.

Neném e papi na piscina do hotel de Yangon
Nem só de comida de Neném vive essa criança! Pizza é o prato favorito!

A gente ganhou um guia turístico do Myanmar antes de vir pra cá, então a Iara estava completamente familiarizada com os templos dourados e estupas. Inclusive era o único livro que ela pedia pra eu abrir e contar as histórias dele. Vai entender essa ligação dela com esse destino, né!?

No avião chegando em Myanmar

Eu sempre falo e apesar de achar bem clichê dizer isso, repito: o melhor do sudeste asiático são as pessoas!

Eu particularmente amo viajar pela Ásia, por causa dos bons preço, da rica gastronomia, do artesanato maravilhoso, das praias paradisíacas, mas principalmente por causa dos locais – sempre simpáticos e curiosos. Vão até você, dão tchau de longe, pede pra tirar foto, pergunta de onde a gente é, etc. Mesmo não falando inglês a gente sente o carinho e se entende.

As meninas gostando da Iara e a Iara gostando da estátua. ❤️😊

Minha bebê é sempre muito bem acolhida por todos os lugares que vai, no entanto aqui foi muito maior. Os locais sempre vinham até a direção dela, queriam encostar, tirar foto, beijar, abraçar, ela ganhou até presente, (um pequeno Buda) e isso foi inédito, rs!

Iara com uma birmanesa. Em forma de folha, de um círculo, ou mesmo de um borrão, essa pasta de coloração amarela clara é a famosa Thanaka, uma espécie de marca registrada da população local, parte da identidade nacional de saúde e beleza.

Eu me senti mãe de uma atriz global (deve ser assim que uma pessoa famosa se sente, né? Hahahah).

Confesso que ficava um pouquinho receosa, porque eu não estou acostumada com tanto confete em torno dela (apesar que eu já estava esperando algo assim, pois como é um país muito fechado, eles não têm muito hábito de ver ocidentais ao vivo). Eu só ficava de olho, se começava a juntar muita gente aí eu tirava a neném e seguia pro outro templo. Mas tudo muito respeitoso, e a impressão que eu tinha é que eles a viam como uma espécie de “divindade”. E assim foi! Voltamos para casa com um enorme sentimento forte e verdadeiro de gratidão.

A Iara curtiu demais! Cada rosto desconhecido que chegava para fazer um contato amistoso e tinha um olhar curioso. Sem contar que ela amava ter que tirar os sapatos para visitar os templos.

Criança soltinha pelos templos no Myanmar

Aprendemos a dizer Mingalabar, que significa oi, olá, e boa sorte e voltamos com todas essas lembranças em nossos corações.

Como se vestir no Myanmar

Em países Budistas, as pessoas precisam se vestir de forma conservadora para visitar templos!

Estamos usando um longyi. Que é uma vestimenta muito usada aqui na Birmânia. Claro que comprei um pra mim.

Em alguns templos maiores e pagos eles emprestam pra você e depois da visita você devolve, como foi o caso dessa foto!

Eu levei vestidos, saias longas, e pashminas caso eu estivesse com alguma camiseta com ombros à mostra.

O Nando levou bermudas, e camisetas simples (não pode regatas, que eles chamam de Spaghetti Strap).

placa indicando o que não pode no templo budista

E nos pés chinelos ou sandálias rasteirinhas, pois não é permitido entrar de sapatos em nenhum templo, então é melhor e mais fácil tirar os chinelos.

A gente deixava os sapatos nos lugares específicos antes de entrada dos templos, mas existe a possibilidade de levar na bolsa também caso você precise entrar por uma porta e sair por outra, aí você nem precisa voltar pra pegar o chinelo.

O Myanmar é um país seguro para visitar?

Este é o principal fator que afasta os turistas daqui: o país é considerado estar vivendo uma guerra civil. Mas gente, o país é enorme, tendo uma área que corresponde a duas vezes a área da Alemanha, e as regiões de conflitos estão muito longe das cidades mais visitadas pelos viajantes. Ah, mas e se por engano eu passar ali perto da guerra? Não! Nem sem querer um estrangeiro pode chegar até lá, pois existe forte controle policial e “checkpoints” nas estradas que vão dar nesses lugares. Eu repito, em nenhum momento senti medo ou insegurança. Andávamos pelas ruas à noite indo e voltando dos restaurantes para jantar e a gente nem se lembrava de perigo ou violência, como a gente se lembra aqui no Brasil, que infelizmente é recorrente e faz parte da nossa realidade.

As cidades mais turísticas são Yangon, Bagan, Inle Lake, Mandalay e as praias de Nagapali. Nós conhecemos apenas as duas primeiras, com o total de quase uma semana, porque, infelizmente não tínhamos muito tempo, mas é claro que a gente pensa em voltar. E por aqui vimos muito menos turistas que nos outros países do sudeste asiático. Ou seja, o país ainda é muito verdadeiro, com sua identidade completamente preservada.

Um monge em um dos templos mais turísticos do Yangon, Myanmar. Estava bem vazio, pois o mundo ainda não descobriu esse país/tesouro

Quanta riqueza cultural! Foram momentos inesquecíveis, que eu lembro com muita emoção escrevendo aqui. 

Quando ir ao Myanmar?

Fomos em janeiro e pegamos bem pouca chuva. Quase atrapalhou nosso passeio de balão, mas ainda bem que deu tudo certo. Porém são os meses entre maio e outubro que a chuva cai forte, com temperaturas que variam entre 25°C e 30°C. Inclusive nesses meses de chuva os passeios de balão ficam suspensos.

Pôr do sol em Bagan

Os melhores meses para vir para cá é de novembro a fevereiro. É a temporada considerada alta por ser fresca e seca com temperaturas, que variam entre 20°C e 24°C. Os meses de março e abril apesar de ser bastante seco também  a temperatura sobe muito, sendo considerada a época mais quente do ano. Então deve ter promoções de passagens  né? Nestes meses as temperaturas giram em torno dos 35°C.

Como chegar no Myanmar?

Pela distância não há voos diretos entre o Brasil e o Myanmar. A maioria das pessoas chega através de Tailândia ou Singapura (nosso caso) pelo aeroporto internacional de Yangon.

Olha só a ansiedade da criança pra chegar no Myanmar
E olha só o que a gente estava vendo: bonitos templos da janela do avião, sobrevoando o Myanmar

E afinal é Myanmar, Mianmar, ou Birmânia (Burma, em inglês)?

Acredito que tanto faz. Qualquer das designações serve para nomear esse país. Mas na verdade, o nome correto dele é “Pyidaungzi Myanma Naingngand”, que significa União do Myanmar, adotado em Junho de 1989, durante o golpe militar que o país sofreu. Porém foi abreviado pela Organização das Nações Unidas para Myanmar por ser mais fácil de pronunciar. Atualmente os birmaneses se identificam como naturais da Birmânia, e muitos jornais ou livros de história dizem que Myanmar foi a designação “imposta” pelos generais.

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Ásia Myanmar

4 comentários Deixe um comentário

  1. Viajar por esses países asiáticos é uma experiência marcante, em todos os sentidos. A gastronomia, a arquitetura, a religião, os hábitos, a simpatia e docilidade das pessoas ficam pra sempre na nossa memória. Sempre vamos ter uma lembrança boa, uma saudade, uma vontade de voltar… é demais!

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