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Dirigindo pelos campos da Toscana

8 de junho 2019

Poucas experiências turísticas foram tão deslumbrantes pra mim. Apesar dessa parte da viagem ter sido dificílima montar, pois tínhamos pouquíssimos dias, a gente só tinha certeza que durante o passeio queríamos percorrer estradas rurais para nos deparar com cidadezinhas medievais e no horizonte colinas cobertas de ciprestes.

Da janela do carro paisagem em Totona, província de Siena

Ao pesquisar antes da viagem descobrimos que existiam inúmeras cidades medievais maravilhosas e imperdíveis por aqui, então tivemos que focar nas nossas prioridades. Acredito que uma semana é um tempo ideal para se explorar a Toscana, mas a gente só tinha 4 dias. E nesse período fizemos: Exploramos Florença, caçamos trufas, avistamos Pienza ao longe, bebemos vinho em Montalcino, almoçamos em Montepulciano, visitamos uma torre medieval em Siena e tomamos sorvete em San Gimigniano.

A Itália é dividida em 20 Estados e cada Região dessa tem uma capital. A Região da Toscana tem como capital Florença.

Mapa da Itália, com a Toscana destacada. Retirado da Wikipedia
Mapa retirado do site VivaToscana.com.br

Aí existe uma segunda divisão territorial são as Províncias que abrangem várias cidades. E a Toscana é dividida em 10 Províncias: Florença, Arezzo, Siena, Grosseto, Lucca, Pisa, Livorno, Pistoia, Prato e Massa Carrara.

Nosso Roteiro :

Acordamos cedo e fizemos check out no hotel de Florença, pegamos o carro com as malas rumo a cidade de Siena (de Florença a Siena são cerca de 75 km).

Café da manhã reforçado com ovos beneditinos

Queríamos sempre fugir das autopistas , e passar pelas estradinhas rurais mais bucólicas possíveis, e já aviso que faltou um monte delas, mas como eu disse, o ideal é ficar uma semana só por aqui. Mas mesmo sendo correria posso assegurar que não dirigimos mais de 150 km nenhum dia, e fizemos uma viagem maravilhosa.

Rally Toscano
Dirigindo próximo a cidade de Bettolle, província de Siena

Finalmente pegamos a SP 135 (já guarda esse nome) e chegamos à linda Montepulciano. A cidade foi construída no alto de uma colina (como muitas das cidades medievais por aqui, pra ver melhor “ozinimigos”), é cercada por muralhas e fortificações conservadas, datadas do séc. XVI. Ah, e por aqui deixamos o carro estacionado num estacionamento pago, barato, fora do centrinho. Guarde as moedinhas pra pagá-lo. Inclusive a maioria das cidades pequenas da Europa são assim.

Subindo para Montepulciano
Montepulciano

A cidade é uma graça, com boa infraestrutura de lojinhas e restaurantes. Os produtos de lá são de alta qualidade como queijos, vinhos e azeites.

Pela cidade

No centro histórico, não se esqueça de passar pela Porta al Prato, ir até a Piazza Grande, o Duomo, a igreja di San Biagio e a Torre dell’Orologio.

Não entramos nas igrejas por falta de tempo, mas como são pontos importantes, acho bom indicar. O que fizemos mesmo foi andar pelas ruelas observando os detalhes das lindas flores, gatos, lambretas, carrinhos fiat 500, e tudo de fofo que compõe o cenário.

Andando por Montepulciano. Parece um cenário de filme
Belezura

Entramos em lojinhas de produtos típicos e degustamos alguns dos vinhos.

Loja em Montepulciano

Inclusive Montepulciano tem essa atração turística super famosa: O Vino Nobile, é um dos mais apreciados internacionalmente, e um dos vinhos italianos mais antigos. Então já guardem esse nome para beber e comprar: Rosso di Montepulciano, Nobile di Montepulciano, e o Nobile di Montepulciano Riserva. As uvas daqui da Toscana chamam Sangiovese, mas esses vinhos aqui são produzidos com outra variedade dessa uva chamada Prugnolo gentile. Ah, e não! Nós não somos enólogos, a gente só gosta de beber mesmo! É que durante a degustação os atendentes ficavam contando as histórias, e a gente adora ouvir.

Montepulciano

Nossa degustação foi nas lojinhas do centro, mas existem outros tour de degustação guiados pelas inúmeras vinícolas que compõe o Consorzio del Vino Nobile di Montepulciano na Strada del Vino Nobile di Montepulciano (fica a dica).

Pausa no dia

Então partimos feroz para a próxima atração (eu juro que cogitei colocar o nome do blog como “partiu feroz life style”, de tanto que eu parto feroz, rs).

Aí cerca de 15 km depois avistamos Pienza ao longe, na estrada secundária SP 146 (já guarda essa estrada, pois é linda). Pienza vale muito visitar, pena que não tivemos tempo de entrar nela. Tivemos de nos contentar apenas com a linda vista da cidade no alto da colina. É tombada pela Unesco como Patrimônio Mundial. É a cidade onde nasceu o Papa Pio II. Por lá pode-se visitar seu Duomo, a Piazza Pio II e além disso experimentar o queijo pecorino, que é produzido lá.

Estrada e Neném maravilhosas

E durante a viagem o Nando teve muita paciência (como sempre ele tem!), porque eu queria fazer uma coisa que eu nunca fiz e acho que nunca farei no Brasil: ficar descendo do carro e tirando mil fotos na beirada da estrada. Além de super perigoso a viagem atrasa absurdamente. Então cada curva era um flash! Olha esse cipreste, aqui, super italiano, tem que tirar foto! Hahaha

Estrada na Toscana

E assim fomos até chegar ao ápice da viagem: A linda Capelinha de Madonna di Vitaleta.

Dispensa legenda

Ai gente, que lugar maravilhoso e que momento especial. Estou escrevendo e recordando a viagem e tomara que eu nunca perca essa mega empolgação quando eu conheço um lugar.

A capela é bem antiga (do século XVI) e apesar de simples sua localização é perfeita para se admirar os lindos campos da Toscana.

Bambina na Toscana

Ela fica no alto de uma pequena colina, e aqui tiramos mil fotos, de todos os ângulos possíveis. Quem está seguindo o blog sabe o quanto eu prefiro ir a um lugar no pôr do sol (aprendi com o Fernando), então aqui não deve ser diferente. Deve ficar mais especial. Mas o nosso momento estava perfeito. Essa região possui uma beleza única.

Fernando e Iara
Mil fotos da capelinha e da Iara

Parte prática, como chegar: A gente veio de carro, e ela fica no caminho entre Pienza e San Quirico d’Orcia. Procure pela estradinha rural (de terra) que você chega a partir da SP146. Não se preocupe porque tem placa indicando “Cappella di Vitaleta”. Depois de cerca de 1,5 km nesta estrada, você verá uma entrada à direita, (tinha carros estacionados ali, então eu percebi que teria que deixar o carro naquele local) – aqui tem placas indicativas. Aí você entra na propriedade e faz uma caminhada de aproximadamente 700 metros para chegar à Igreja, passando primeiro pelo portão fechado. As coordenadas para o GPS: 43° 04′ 15.08″ N, 11° 38′ 03.68″ E.

Estrada para chegar na capela.

Seria interessante checar com seu hotel horários e detalhes, porque a propriedade tinha um portão, que a gente simplesmente entrou.

Plaquinha no estacionamento

Então depois de me emocionar aqui seguimos viagem para outro deslumbrante vilarejo chamado Montalcino, também famosíssimo pela produção do vinho tinto.

Castelo em Montalcino -Toscana

Das uvas sangiovese rosso nascem dois dos mais chiques vinhos da Itália o Brunello di Montalcino e o Rosso di Montalcino, ambos com o selo de certificado D.O.C.G..

Degustando um Brunello de Montalcino advinha aonde?

Essa sigla significa que são vinhos de Denominação de Origem Controlada e Garantida. Ou seja, a lei italiana define a capacidade máxima das garrafas que devem ser vendidas, e que não podem ser maior que 5 litros. Isso quer dizer que um vinho DOCG pode existir tanto em garrafas com 375 ml até no máximo de 5 litros. Garrafas maiores que 5 litros não podem de jeito nenhum ser utilizadas para engarrafar um vinho DOCG. Essa sigla DOCG é reservada apenas para os vinhos de valor exclusivo e especial, isto é, para aqueles que tiveram a certificação DOC por pelo menos cinco anos e, além disso, passaram por exames de base e foram aprovados. Já os vinhos com certificado D.O.C (Denominação de Origem Controlada ) é também um vinho nobre, que também são produzidos em uma área definida, e as suas características foram fixadas primeiramente nos regulamentos de sua produção. Muita burocracia para se conseguir uma excelência mundial na arte de fabricar vinhos. Na prática é um grande controle em todo o ciclo de produção, desde a colheita até o engarrafamento.

Parede em Montalcino

Antes de serem vendidos estes vinhos são submetidos a diversas análises, por comissões de degustação estabelecidas por um órgão responsável, que tem como meta garantir que o vinho satisfaz aos requisitos especificados na sua regulamentação. Além dos Vinhos DOC e DOCG existem o Vini da Tavola (vinhos de mesa) e os IGT. Os de mesa são vinhos genéricos, que em seu rótulo tem apenas uma referência à sua cor (branco, tinto, rosé), o seu nome e o logotipo do engarrafador. É um vinho mais novo, que pode ser o resultado de uma mistura de uvas, ou vinhos de diferentes áreas geográficas, de diferentes variedades ou de mais de uma safra. Não existem informações específicas sobre o vinho, que inclusive aqui na Itália era o que a gente mais bebia. Vinho da casa! Super saboroso. Já o IGT tem seu controle de qualidade entre os “Vini da Tavola” e os DOC/ DOCG, já que sua regulamentação é menos rígida que estes. As características desse tipo são uma indicação da área geográfica que se localizam (por exemplo, Toscana), o tipo da uva (por exemplo, Sangiovese) e a safra (ano da colheita da uva).

Será que podemos dizer que os vinhos do tipo IGT são os melhores em custo-benefício?

Então nosso dia estava acabando em Montalcino então caminhamos calmamente pela cidade num belíssimo por do sol.

Montalcino

Já estava ficando muito tarde e era preciso ir rumo a Siena onde seria nosso último pernoite antes de voltar pro Brasil.

Por do sol em Montalcino

Ufa! Que dia cheio de experiências! O que vocês fariam, gente? Dividiria esse dia em dois, ou em três dias na região?

Sobre a lei seca na Itália: O limite tolerado por lei de álcool deve ser inferior a 0,5 g/L. Ou seja, a lei não é seca. 😉

Europa Itália

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