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Cruce Andino: A linda travessia entre o Chile e Argentina

Esse post te inspirará a fazer a travessia do Chile para a Argentina (ou vice versa) através de lagos maravilhosos, vendo vulcões e contemplando a bela Cordilheira dos Andes. Tudo isso num Cruzeiro chamado Cruce Andino.

Vulcão Osorno – Norte da Patagônia chilena

Muitos brasileiros optam por essa viagem porque além da chance de conhecer mais um país, tem a facilidade de entrar em países membros do Mercosul sem a necessidade de visto, nem passaporte, bastando o RG brasileiro válido (com menos de dez anos de expedição).

É importante dizer que essa travessia entre os dois países pode também ser feita só por via terrestre, mas o Cruce Andino faz muito mais sucesso entre os turistas por causa das paisagens de tirar o fôlego, numa completa imersão numa patagônia selvagem, mas com total segurança.

Mapa retirado do site www.cruceandino.com

A nossa travessia durou 1 dia inteiro, mas ela também poderia ter sido realizada em dois dias, a depender da sua vontade de pernoitar em Peulla, um pequeno vilarejo no lado chileno. Existe a possibilidade também de conciliar os barcos com bicicletas, tudo isso bem explicado no site deles.

Localizando

O nosso passeio começou em Bariloche, no sul da Argentina e terminou em Puerto Varas, no Chile.

Existe a opção contrária começando em Puerto Varas no Chile e terminando na Argentina.

Localizando a Patagônia

Ah, mas você também pode fazer a travessia indo e vindo, caso seu voo saia do mesmo país que você chegou, vai depender apenas do que você quiser contratar. Acesse o site da empresa para comprar as passagens. https://www.cruceandino.com

(inclusive acabei de entrar no site dessa companhia e vi que tem promoção. Se você comprar um trecho, você consegue voltar de graça, mas por tempo limitado. Mas, se a promoção acabar, é só ficar acompanhando o site que podem aparecer promoções desse tipo).

Quando ir

A patagônia é uma região muito fria, então os meses de verão são os mais indicados, mas por ser alta temporada são também os mais caros para contratar a travessia, pois no inverno pode nevar bastante. Fomos no verão em dezembro e a temperatura estava super amena, o dia maravilhoso, mas é bom saber que no barco venta, então o casaco é indispensável mesmo durante o verão.

Um dos primeiros dias de verão no hemisfério Sul

Como chegar

Como não existem vôos diretos entre Santiago, ou qualquer outro destino do Chile para Bariloche, você vai precisar escolher se você vai iniciar a travessia em Bariloche ou Porto Varas. Bariloche, na Argentina fica a 1.600 km de Buenos Aires. Nós viemos do Brasil de avião para Buenos Aires e dias depois voamos até “Brasiloche”.

Chegando em Buenos Aires -Ezeiza

Em alguns períodos do ano existem voos diretos de São Paulo ou de Campinas para Bariloche, mas nunca consegui pegar (já vim a Bariloche três vezes), sendo aproximadamente 4h30 de viagem. Mas recomendo muito voar para Buenos Aires, curtir a cidade um pouquinho, (ah, que cidade deliciosa para passear), e depois partir para Bariloche. Além do avião você pode vir pra cá de carro (alugado), conhecendo mais nosso país vizinho, ou até mesmo de ônibus, só que vai demorar mais para chegar, então depende de quanto tempo você tem. Quando você estiver em Bariloche permaneça aqui por alguns dias, porque a região é maravilinda.

Clique para ver o post que conto mais sobre Bariloche

Importante dizer que Buenos Aires tem dois aeroportos: O internacional de Ezeiza, cidade próxima, aonde chega os vôos do Brasil, e o Aeroparque, mais central, que tem a maioria dos vôos para Bariloche. Na primeira e terceira vez que fui à Bariloche dormi algumas noites em Buenos Aires, e depois peguei um vôo para Bariloche no Aeroparque. Já na segunda vez chegamos à Argentina por Ezeiza, dormimos perto do aeroporto e seguimos para Bariloche bem de manhãzinha, no dia seguinte. Ou seja, é superimportante incluir todo o tempo de deslocamento de aeroporto, com fila para imigração, e todos os contra tempos que isso pode acarretar. Se a passagem que você for comprar tiver mudança de aeroporto fique ligado nos horários. Então, compre um voo dando umas 4 horas de intervalo entre um vôo e outro. O site Viaje na Viagem possui detalhes sobre câmbio na Argentina e como se deslocar entre aeroportos em Buenos Aires.

Iara e Fernando no Aeroporto Aeroparque, embarcando para Bariloche em véspera de Natal

Se você optar pegar o barco em Puerto Varas, você precisa chegar ao Chile primeiro. O Brasil tem voo direto para Santiago, com vários horários na semana, mas não tem direto para Puerto Varas. Inclusive o principal aeroporto da região é o de Puerto Montt, a cerca de 25 km de Puerto Varas. Então é lá que você vai descer (1h45min de voo de Santiago), e aí pegue um táxi e vá a Puerto Varas (ou carro alugado se preferir) direto do aeroporto, ou também pode pegar um ônibus no terminal rodoviário da cidade. São cerca de 20 km entre as duas cidades.

Se você topar ir de Santiago, capital do Chile até Puerto Varas por terra serão 1000 Km. Existem ônibus que saem de Santiago, todos os dias. A viagem tem duração aproximada de 12h, com a maioria dos horários de embarque noturnos. Mas você também pode alugar um carro e fazer o delgado país de cabo a rabo. Não se esqueça de ficar na graciosa Puerto Varas por uns dias.

Nós 2 no Aeroporto de Puerto Montt partindo para Santiago

Depois da Travessia você pode voltar a Bariloche ou a Puerto Varas de ônibus, sendo 6 horas de viagem. Se você sair da Argentina, veja cias. e horários em aqui (plataforma10.com.ar). Se você sair do Chile, veja nesse outro (recorrido.cl).

Existe outro roteiro mega alternativo que é chegar a Puerto Montt vindo de Puerto Natales (extremo sul da Patagônia, próximo ao Parque Nacional Torres del Paine), atravessando a Carretera Austral de barco. Deve ser uma experiência fascinante e uma forma pouquíssimo tradicional de se conhecer mais a Patagônia chilena. O barco Navimag tem saídas todas às sextas-feiras às 14h e chega a Puerto Natales nas segundas-feiras às 15h. Já fiquei com vontade de fazer esse passeio. Maiores informações no site https://www.navimag.com/explora-la-patagonia-en-ferry-navimag

(Quem fizer esse passeio, favor voltar aqui para me contar e me dar dicas!)

E finalmente nosso roteiro

1 – Do hotel em Bariloche até o Lago Nahuel Huapi

O ônibus da empresa Cruce Andino chegou cedinho ao nosso hotel Três Reyes em Bariloche (em outro post falo sobre a cidade e hospedagem) e chamou o nosso nome na recepção. Estávamos em 7 (sendo que a Iara não pagou), aí Fernando mostrou os nossos vouchers da compra online, entregamos as malas e entramos no ônibus, onde já havia outros passageiros.

Iara ansiosa esperando o ônibus

O trajeto do hotel, localizado no centro de Bariloche, até o porto é de aproximadamente 1h de estrada, com um trecho bonito, carregado de ansiedade pela viagem que estava prestes a começar.

Do ônibus vendo o belíssimo lago Nahuel Huapi.

No píer compramos os tickets para entrar no Parque Nacional Nahuel Huapi (35 pesos argentinos, ou pouco mais de 3 dólares; não são aceitos cartões). Então a partir daqui começou a travessia dos lagos, numa viagem cênica de aproximadamente 12 horas, por cerca de 180 km, passando por dois parques nacionais localizados na Patagônia chilena e argentina.

Local de compra dos ingressos para o Parque

2 – Do Lago Nahuel Huapi até Puerto Blest

A primeira (e maior de todas) embarcação chegou em Puerto Pañuelo e logo embarcamos com destino a Puerto Blest. Essa parte aquática da viagem emociona. As paisagens do Lago Nahuel Huapi são maravilhosas.

Do barco vendo o Chiquérrimo hotel Llao Llao
Dentro da embarcação Cruce andino

Esse lago, que banha toda a região de Bariloche (inclusive nosso hotel era de frente pra ele), é enorme, com grandiosas montanhas com neve eterna em seus picos. Essa parte da viagem foi incrível, onde gaivotas bagunceiras vieram alegrar nossa manhã. Então ficamos no deck nos divertindo. Mais um ponto pro verão. Duvido que no inverno seria essa farra toda! Rs.

Iara navegando e lanchando

3 e 4 – Puerto Blest até Lago Frías

Chegamos em Puerto Blest e ficamos um tempinho. Nesse local tinha um hotel e as pessoas que vêm do Chile pra Argentina, tem a opção de pernoitar aqui, como não foi nosso caso tomamos um café apenas.

Nossa turma em Puerto Blest

Então pegamos um ônibus rumo a fronteira com o Chile.

Minhas flores preferidas

Na maioria dos trechos terrestres era mata bem fechada, é incrível como você mergulha numa natureza selvagem com toda segurança possível. Ecoturismo na veia, sem nem precisar calçar botinha de caminhada!

5 – Lago Frías até Puerto Frías

Aí começamos a navegação pelo Lago Frías. O lago é pequeno e bonito, rodeado pela imponente Cordilheira Andina. A maioria desses lagos são formados e alimentados por água de degelo, Brrrr, que “Frías”! Importante dizer que o barco praticamente não balança em nenhum trecho.

Dentro da embarcação no Lago Frías

Chegamos em Puerto Frías e nesse local existe um quiosque (bem simples) onde há uma réplica da motocicleta que o Che Guevara usou em suas andanças pela nossa América.

Réplica da La Poderosa II, de Ernesto Guevara e Alberto Granado
Ao fundo uma lanchonete

E aqui nos despedimos da Argentina!

Na fronteira com o Chile

Entramos no ônibus novamente em uma mata densa….

Vista do ônibus

E chegamos a aduana do Chile, que fica a apenas 150 metros de onde almoçamos. Fizemos a saída da Argentina e entramos no Chile.

A aduana chilena é um tanto rígida com os produtos agrícolas e animais que entram no país e por isso todos os passageiros tem a bagagem aberta na presença do dono. Um processo chato mas que foi bem tranquilo e encerrou mais rápido do que esperávamos.

Próximo ao local de aduana no Chile

6 – Peulla até Lago Todos los Santos

Aí chegamos finalmente na hora do almoço em Peulla. Peulla é um lugarzinho no meio do nada, às margens do Lago Todos Los Santos onde tem dois hotéis, Hotel Peulla e o Hotel Natura Patagônia (local onde almoçamos). Aqui em Peulla apesar de não ter um centrinho para visitar, nem restaurantes para conhecer além desses 2 hotéis, tem atividades ao ar livre como cavalgadas, arvorismo, visita a fazendas da região. Porém, todas essas atividades são exclusivas para quem pernoitar por ali. Acho que vale a pena dormir em Peulla se tiver tempo disponível e quiser descansar em meio à natureza selvagem.

Flores do campo

O hotel que almoçamos é lindo, e a região é bem bonita. Porém, no período quente que estávamos de verão, parecia haver uma infestação de umas moscas grandes, muito inconvenientes que nos atrapalhava a curtir o ar livre. Mas os locais disseram que era coisa de um dia ou dois de verão e elas desapareciam. Por lá a chamavam de Tabanos e estavam presentes também em alguns bosques de Bariloche.

Um dos hotéis à esquerda

No cardápio tinha opções de carne, frango, peixes e saladas.

Cerveja artesanal para aguardar o almoço.

Atenção que nenhuma refeição está incluída no bilhete do Cruce Andino. Ah! E leve dinheiro em espécie, peso chileno ou peso argentino e dólar. Nos barcos são vendidos petiscos e bebidas em geral.

Nando e Iara no Hotel Natura em Peulla
Pelos arredores do Hotel

Então depois do almoço entramos no ônibus novamente e pegaríamos o último trecho de barco da viagem. Snif! Estava acabando! Acho que as 12 horas mais rápidas da minha vida foram essas!

Hotel em Peulla visto do ônibus
Ops! Um barco com meu nome.
Iara fazendo amizades, sempre!

O Lago Todos los Santos é extraordinário. O dia estava lindo, então ficamos na parte externa do barco tirando fotos e aguardando o personagem principal do passeio aparecer: O vulcão Osorno!

E a cor dessa água, nível Caribe, hein? Só não deve ter a temperatura morninha que tanto me apetece, rsrsrs.

Descabelada mas feliz!

O dia de hoje foi tanta beleza que nem sei. Impossível não ser grata a essa oportunidade vivenciada. Eu me sinto plena em meio à natureza inóspita, e só mesmo vivendo essa travessia para ter real noção da grandiosidade do lugar.

7 – Lago Todos los Santos, Saltos del Petrohué até Puerto Varas

Então depois de navegar no lago de Todos los Santos chegamos em terra firme, e vimos do ônibus os Saltos del Petrohué, pois o parque estava fechado! A atração custa 4 mil pesos chilenos, cerca de 5 dólares.

Os Saltos del Petrohué são um ponto turístico muito famoso (e imperdível) na região. São corredeiras que descem com muita força e velocidade entre as lavas petrificadas da mais recente erupção do poderoso vulcão Osorno, que é considerado ativo. Por ali existe uma ponte construída para caminharmos sobre as águas. Até chegar nos Saltos você caminha cerca de 300 metros em um bosque de mata fechada maravilhoso. No verão é possível praticar rafting nível 3.

Se a gente tivesse feito o trajeto contrário (do Chile para a Argentina essa atração seria a primeira parada, então conseguiríamos visitá-la. Eu tive a oportunidade de visitá-las quando fui ao Chile anos atrás, mas dessa vez, como era no final do dia o parque estava fechado e conseguimos apenas ver de longe.

Então entramos no ônibus novamente rumo ao centrinho da cidade de Puerto Varas.

Osorno visto do ônibus

Então chegamos e o ônibus nos deixou na agência de Turismo bem no centro da cidade. Aí fomos caminhando pro hotel pra ir conhecendo a cidade e passear um pouco. Ali você tem opção de pegar um taxi para chegar mais rápido no hotel, mas a gente adora caminhar.

Levando as malas pro hotel

Nosso hotel era o hotel Cabaña del Lago. Maravilhoso. Depois vou falar mais dele.

Final do dia vendo o Vulcão Calbuco do nosso quarto. Sua última erupção foi em 22 de abril de 2015

E aí pessoal? Gostaram do relato de travessia? Concordam que é um passeio pra família toda?! Essa empresa realiza essa travessia há anos, e por isso, tem total experiência, sendo ideal para famílias com crianças e idosos (nosso caso). Tudo muito tranquilo. Com certeza todos vão se divertir bastante.

América do Sul Argentina Chile

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