Marrocos: Informações para a sua viagem

O país que possui praia, montanha, deserto, cidades muradas e muita beleza é um verdadeiro deleite para os nossos sentidos. Uma mistura de influências culturais recebidas ao longo dos séculos, que imprime o real significado das cores e sabores de modo intenso, tornando assim a nossa viagem fantástica.

Em nossas andanças pelas ruas, medinas e souks, os típicos mercados, vimos um grande contraste entre paisagens distintas e igualmente belas, junto a uma intrigante identidade cultural berbere, que ainda se mantém viva e forte no Marrocos.

Muralhas da medina de Fès, Marrocos
Pela medina de Fès, Marrocos.
Almedina ou só medina é a parte histórica de diversas cidades da região do Magrebe. Costuma ser murada e conter um labirinto de ruelas estreitas. Este tipo de construção já era construído pelos árabes no século IX. Em árabe moderno, a palavra medina significa simplesmente “cidade”.

Localizando o Marrocos

Localizado na região do Magrebe, no norte da África, é banhado a oeste pelo oceano Atlântico, e pelo mar Mediterrâneo a norte, e faz fronteira com a Argélia a leste, a sul e sudeste com a Mauritânia.

Foto retirada do site geology.com
Magrebe (ou Magreb) é a região noroeste da África. Em sentido estrito, inclui Marrocos, Argélia e Tunísia. O Grande Magrebe inclui também a Mauritânia e a Líbia.”

Sua capital é Rabate e a maior cidade é Casablanca.

Temos o hábito de pensar que a África é um destino muito longe, mas não a Europa, porém Portugal e Espanha são vizinhos do Marrocos.

Apenas 13 quilômetros de mar Mediterrâneo separam os dois continentes na parte mais curta do estreito de Gibraltar, entre a Espanha e o Marrocos (detalhe para nossa ponte Rio-Niterói, que tem 13,2 quilômetros).

Estreito de Gibraltar. Mapa retirado do site firmm.org

Um pouco da história do Marrocos

O mais antigo fóssil humano foi encontrado em 1960 no interior do país e em 2017 foi datado de 300 mil anos.

Marrocos tornou-se mais tarde um reino da civilização cartaginesa como parte de seu império. O primeiro Estado marroquino independente conhecido foi o reino berbere que data de pelo menos a 225 a.C.

Esse reino foi anexado ao Império Romano em 44 d.C., e por aqui ainda existem interessantes ruínas romanas.

Basílica e templo capitolino romanos em Volubilis. Foto retirada da Wikipedia. Inclua essa cidade no seu roteiro.

Depois houve a conquista muçulmana, que começou em meados do século VII.

Ela trouxe a língua árabe e o Islã para a área. As tribos indígenas berberes adotaram o Islã, mas mantiveram suas leis tradicionais.

Medina e Mesquita em Fès, Marrocos

A partir do século XI em diante, uma série de poderosas dinastias berberes surgiram.

Em 1415, Portugal e Espanha começaram a cobiçar a África e empreender uma grande conquista da região.

Isso foi usado, por exemplo, como pontos de parada nas rotas do Brasil e do Estado Português da Índia.

Essaouira é uma antiga cidade portuguesa no Marrocos

A cidade de Ceuta, inclusive, até hoje continua sob soberania espanhola, mesmo estando do outro lado do Atlântico, no lado marroquino.

À medida que a Europa se industrializava, o Norte da África era cada vez mais apreciado pelo seu potencial de colonização. Aí foi a vez da França que mostrou um forte interesse pelo Marrocos em 1830, não só para proteger a fronteira do seu território argelino, mas também devido à posição estratégica do Marrocos em dois oceanos.

Por Marrakesh vendo uma Mesquita e uma bandeira da França

O Tratado de Fez de 1912 tornou Marrocos um protetorado francês, mas a Espanha continuou a operar o seu protetorado costeiro. Pelo mesmo tratado, a Espanha assumiu o papel de proteger sua soberania sobre as zonas do norte e sul do Saara.

Quando finalmente em 1956 a mudança do controle francês sobre Marrocos para as mãos do sultão e do partido independentista decorreu pacificamente.

Atualmente o Marrocos é um reino e a forma de Governo é a Monarquia Constitucional e o Sistema de Governo o Parlamentarismo.

Em frente ao Palácio Real de Fès, Marrocos

Por onde andei no Marrocos

No lindo Riad Sara, Fès, Marrocos. Riad é a designação dada a casas ou palacetes que ficam dentro das almedinas (centros urbanos históricos) do Marrocos.

• 3 noites em Fès (Riad Sara), com bate e volta para Chefchaouen ;

• 2 noites no Deserto do Saara em Merzouga (Auberge du Sud). Sendo que 1 noite dormimos em tendas Berberes.

• 3 noites em Marrakesh (Ryad Laârouss). Com bate e volta a Essaouira

• 1 noite em Ouarzazate (Kasbah Dar Daif) quando passamos pelos cinemáticos Ait Ben Haddou‌ e o Gorge de Tundra.

Café da manhã no Kasbah Dar Daif, Ouarzazate, Marrocos. Os casbás são casas fortificadas de origem berbere. Fazem parte da tradicional arquitetura marroquina. São feitos de tijolos de adobe e que, depois de secos ao sol, podem durar séculos.

No total foram nove noites no Marrocos, com viagens feitas por carro que alugamos, num total de 1815 km. Mais pra frente vou explicar direitinho se o carro é ou não indicado para o seu perfil de viajante.

Auberge du Sud, Merzouga, Deserto do Sahara, Marrocos

Como chegar no Marrocos

Optamos por voar pela companhia aérea Ryanair saindo de Barcelona, Espanha, até Fès, Marrocos, num vôo de 2 horas. E na volta de Marrakech para Barcelona, num vôo de 2 horas e 30.

Aeroporto Marrakech-Menara, Marrocos

Nossa passagem área do Brasil era Rio de Janeiro com Stopover em Paris e depois Toulouse para visitar uns amigos e conhecer aquela região da França. De lá fomos de ônibus até Barcelona passando por Andorra. Por isso compramos as passagens pro Marrocos saindo de Barcelona. Ryanair tem passagens aéreas bem baratas, para padrões brasileiros. Pesquise bem no site. Na volta Barcelona-Paris-Brasil com a AirFrance.

Se você vier do Brasil provavelmente fará escala na Europa, como por exemplo, Espanha e Portugal.

Se você quiser uma aventura a mais, você pode atravessar o mar Mediterrâneo pelo Estreito de Gilbratar de ferry, desde o sul da Espanha até Tânger no norte do Marrocos.

Quando ir ao Marrocos

Durante a primavera, entre os meses de março e maio e durante o outono, de setembro a novembro, quando as temperaturas estão amenas e as cidades estão com menos turistas.

Nós fomos no início de junho e o calor estava escaldante, principalmente no Deserto do Sahara. Além disso fomos no início do Ramadan, e pegamos alguns lugares fechados durante o dia.

Essaouira foi uma das cidades do Marrocos mais “fresquinha” mesmo viajando quase no verão. Por ser litorânea e ventar muito recomendo levar um agasalho.

Ramadã é o nono mês do calendário islâmico, no qual a maioria dos muçulmanos pratica o seu jejum diurno. O jejum implica em não comer, não beber (nem água), afastar os pensamentos negativos, não fumar, não ter relações sexuais e evitar qualquer coisa em excesso. É um período em que se reza mais dos que as 5 orações diárias, e quando o sol se põe é a hora que se alimentam. Então a maioria dos restaurantes não abre durante boa parte do dia, e mesmo se a gente tivesse comida, não seria adequado comer na frente deles.

Fuso horário

4 horas pra frente em relação ao horário de Brasília.

Moeda

A moeda é o dirham marroquino (MAD), não sendo possível comprar dirhams fora do Marrocos e também é proibido levar a moeda para fora do país.

Nós levamos Euros do Brasil, e trocamos pelo Dirham marroquino quando chegamos ao Marrocos.

Não é recomendável levar real.

Documento necessários

Nós Brasileiros não precisamos de visto para visitar o país a turismo, sendo necessário passaporte válido de 6 meses.

Sobre as vacinas, confirme se existe alguma vacina especial e extra na época da sua viagem.

Eu sempre levo meu Certificado Internacional de Vacinação.

http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/seu-destino/marrocos#informacoes-basicas

Religião

O Islamismo é a religião do Marrocos, incluindo os povos berberes. A grande maioria dos marroquinos segue o Islamismo sunita.

Bebidas Alcoólicas

No Marrocos as bebidas alcoólicas são proibidas nas ruas e vendidas somente para turistas.

Happy Hour com bons drinks no rooftop do Cafe Árabe مقهى عربي, Marrakesh, Marrocos

Portanto, cerveja por lá é mais cara, e vendida somente em hotéis, restaurantes e supermercados permitidos pelo Rei.

Cerveja local à beira mar, em Essaouira, Marrocos.

Você sabia que o Marrocos é produtor de vinho? Eu não poderia imaginar que um país muçulmano e desértico, pudesse produzir vinhos. Pois é, no dia dos namorados estávamos aqui e saímos para jantar. Experimentamos o vinho marroquino e gostei muito!

O Marrocos já produzia vinhos desde antes do Império Romano. Mas, no século XII, bebidas alcoólicas foram proibidas por aqui e a produção só foi retomada com a colonização francesa, no início do século XX. Na década de 1990, com o incentivo do Rei Hassan II a produção aumentou, mas ainda há muita pressão da sociedade conservadora muçulmana. Hoje, a viticultura é permitida por lei, mesmo com a venda de bebidas alcoólicas para muçulmanos ser oficialmente ilegal.

Vinho acompanhando nosso jantar de dia dos namorados no Bô & Zin, Marrakech, Marrocos. Restaurante incrível.

Que roupa vestir?

O país é muçulmano, o que o torna bastante conservador, no entanto, achei eles bem flexíveis. Tolerantes no sentido de não ter visto mulheres usando burcas fechadas pelas ruas, cobrindo completamente cabeça e o corpo, como é comum em alguns países da Ásia e do Oriente Médio.

Vimos mais o “djellaba”, uma túnica longa, usada tanto por homens quanto por mulheres – no caso delas, complementada por um capuz, véu ou lenço.

“Look do dia” de uma marroquina.

Tenha em mente que o calor africano é implacável, e você vai ficar tentada a usar shorts, bermudas, vestidos e camisetas levinhas.

Teve dias que usei camisetas de manga curta, e evitei mostrar barriga, ombros e pernas.

Camiseta de manga curta. Marrocos

Em Marrakech, que é uma cidade grande e recebe muitos estrangeiros, pode ser visto turistas usando short, Bermuda, etc.

Happy Hour em bar ocidentalizado em Marrakesh. Atenção às roupas dos outros turistas.

Já em cidades menores, como por exemplo, a antiga cidade azul de Chefchaouen (ou Xexuão, em português), no norte do país, o povo local é bem mais tradicional. A cidade apesar de ser muito turística é considerada território sagrado e, por isso, foi fechada para estrangeiros durante muitos séculos.

Pela medina de Chefchaouen, a cidade azul do Marrocos
Homens fofocando na praça principal em Chefchaouen, Marrocos.

Roupas mais conservadoras é o ideal, mas podem fazer você passar calor, no verão, a temperatura pode passar dos 40 graus. Mesmo assim, ainda vale a pena se você não quiser chamar muito a atenção dos locais e evitar o assédio, principalmente se você for mulher e estiver sozinha.

Eu usei calças de viscose bem levinha, e dei preferência para vestidos longos e saias compridas, e usei boleros em cima da parte de cima do corpo.

Pelo Marrocos vestindo calça de viscose e blusa cobrindo o ombro

Eu tinha um lenço ou uma pashmina sempre à mão e achei bem discreto. O lenço é importante para cobrir a cabeça e os ombros caso tenha necessidade.

Com um lenço para cobrir a blusa de alcinha. Marrocos
Bolero usado em cima do vestido de alcinha. Marrocos

Lembrando que, independentemente da nossa religião ou cultura, sempre é importante respeitar os costumes do povo local: para visitar as Mesquitas que permitem a entrada de não-muçulmanos, use a roupa adequada e tire os sapatos.

Mas a melhor dica que eu posso te dar é evitar os meses mais quentes para visitar o Marrocos (e a África em geral).

Breve nosso roteiro detalhado no Marrocos.

África Marrocos

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